O Perfil do Profissional de T.I. no Brasil - Parte 4

O Perfil do Profissional de T.I. no Brasil – Parte 4

PARTE IV - O PERFIL DO PROFISSIONAL DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO BRASIL DIANTE DAS NOVAS COMPETÊNCIAS DEMANDADAS PELAS ORGANIZAÇÕES

 Autor: Danielle Ferreira da Silva - Orientador: Prof. Dr. Daniel Branchini

Capítulo 3 – O perfil do profissional e contexto atual do profissional de Tecnologia da Informação no Brasil

Segundo o Guia do Estudante (2013):

Existem no Brasil cerca de 100 escolas que oferecem cursos ligados à Gestão de Tecnologia da Informação, focados em várias áreas. A maioria habilita o aluno na elaboração, implementação e administração de sistemas de informação de dados. Alguns têm foco maior em segurança, outros, na criação de softwares personalizados, soluções específicas para cada empresa. O manejo de informações no sistema Linux, de licença gratuita, também é matéria de vários programas de gestão. Os cursos com ênfase em gestão de negócios habilitam o aluno na criação de sistemas específicos para a administração.(www.guiadoestudante.com.br, 2013)

Os cursos tecnológicos são em sua maioria mais rápidos e têm um custo até 8 vezes menor do que os cursos tradicionais, principalmente se considerarmos os novos cursos de curta duração (2 anos) que estão surgindo no mercado. Além disso, esses cursos apenas habilitam os profissionais à especialização latu-sensu (FSP, 2007). Isso tudo se considerarmos apenas a faceta técnica de um profissional de T.I.

Para que uma empresa se mantenha competitiva, a mesma deve se atentar a uma serie de indicadores que assegurem o mesmo e um deles é a definição de competências fundamentais (Gramigna, 2002). Segundo Leme (2005), a gestão por competências é o processo de conduzir os colaboradores para atingirem as metas e os objetivos da organização através de suas competências técnicas e comportamentais. Vale citar que a gestão de competências é o modelo de gestão que atualmente esta sendo utilizado pelas empresas e departamentos de Recursos Humanos, que hoje são vistos como centro de resultados, em busca da contribuição na agilidade de respostas.

Segundo Levy-Leboyer (1997 apud Gramigna, 2002, p. 15) o termo competência pode ser definido como:

‘‘Repertorio de comportamentos e capacitações que algumas pessoas ou organizações dominam melhor que outras, fazendo-as eficazes em uma determinada situação.’’

Segundo Green (2000), as competências organizacionais podem ser chamadas de competências essenciais - conjuntos únicos de conhecimentos técnicos e habilidades que causam impacto em produtos e serviços múltiplos em organizações, fornecendo uma vantagem competitiva no mercado, resultando em valor percebido pelos clientes. Já as competências individuais, podem ser consideradas hábitos de trabalhos mensuráveis juntamente com habilidades pessoais que são utilizadas por uma pessoa para chegar aos objetivos de trabalho da organização/ do seu setor.

A empresa então, define um numero ótimo de competências que deseja desenvolver e estimular dentro da companhia, porem as mais comuns de acordo com Gramigna (2002) são e podem ser definidas como:

  1. Capacidade empreendedora: Facilidade para identificar novas oportunidades de ação, propor e implementar soluções aos problemas e necessidades que se apresentam, de forma assertiva, inovadora e adequada.
  2. Capacidade de trabalhar sob pressão: Capacidade para selecionar alternativas de forma perspicaz e implementar soluções tempestivas diante de problemas identificados, considerando suas prováveis consequências.
  3. Comunicação: Capacidade de ouvir, processar e compreender o contexto da mensagem, expressar-se de diversas formas e argumentar com coerência usando o feedback de forma adequada, para facilitar a interação entre as partes.
  4. Criatividade: Capacidade para conceber soluções inovadoras viáveis e adequadas para as situações apresentadas.
  5. Cultura da qualidade: Postura orientada para a busca continua da satisfação das necessidades e superação das expectativas dos clientes internos e externos.
  6. Dinamismo, iniciativa: Capacidade para atuar de forma proativa e arrojada diante de situações diversas.
  7. Flexibilidade: Habilidade para adaptar-se oportunamente as diferentes exigências do meio e capacidade para rever postura diante de argumentações convincentes.
  8. Liderança: Capacidade para catalisar os esforços grupais, a fim de atingir ou superar os objetivos organizacionais, estabelecendo um clima inovador, formando parcerias e estimulando o desenvolvimento da equipe.
  9. Motivação: Capacidade de demonstrar interesse pelas atividades a serem executadas, tomando iniciativas e mantendo atitude de disponibilidade, e de apresentar postura de aceitação e tônus muscular, que indica energia para os trabalhos.
  10. Negociação: Capacidade de expressar e de ouvir o outro, buscando equilíbrio de soluções satisfatórias nas propostas apresentadas pelas partes, quando ha conflitos de interesse, e de observar o sistema de trocas que envolve o contexto.
  11. Organização: Capacidade de organizar as ações de acordo com o planejado, para facilitar a execução.
  12. Planejamento: Capacidade para planejar o trabalho, atingindo resultados por meio do estabelecimento de prioridades, metas tangíveis, mensuráveis e dentro de critérios de desempenho validos.
  13. Relacionamento interpessoal: Habilidade para interagir com as pessoas de forma empática, inclusive diante de situações conflitantes, demonstrando atitudes positivas, comportamentos maduros e não combativos.
  14. Tomada de decisão: Capacidade para selecionar alternativas de forma sistematizada e perspicaz, obtendo e implementando soluções adequadas diante de problemas identificados, considerando limites e riscos.
  15. Visão sistêmica: Capacidade para perceber a integração e interdependência das partes que compõem o todo, visualizando tendências e possíveis ações capazes de influenciar o futuro.

E dentre essas competências, ainda de acordo com Gramigna (2002) as mais importantes para o setor de indústria – no qual se encontrava a T.I. no inicio de sua historia, quando o core de Tecnologia era a produção de Hardware – são:

  1. Capacidade empreendedora
  2. Capacidade de trabalhar sob pressão
  3. Comunicação
  4. Criatividade
  5. Cultura da Qualidade
  6. Flexibilidade
  7. Liderança
  8. Negociação
  9. Relacionamento Interpessoal
  10. Tomada de Decisão
  11. Visão Sistêmica

E dentre as competências de maior importância para o setor da prestação de serviços – no qual encontra-se a T.I. atualmente são:

  1. Capacidade empreendedora
  2. Capacidade de trabalhar sob pressão
  3. Comunicação
  4. Criatividade
  5. Dinamismo
  6. Liderança
  7. Motivação
  8. Negociação
  9. Planejamento
  10. Visão Sistêmica

De acordo com Gramigna (2002), as competências identificadas por setores, faz parte de uma pesquisa feita pelas empresas-cliente da MRG, apos verificação de mais de 4.500 perfis, porem são relacionadas ao período de 1997 e 2000, e por esse motivo, o presente trabalho também propõe uma discussão dessas competências como parte da investigação do motivo pelo qual as vagas de T.I. abertas não são preenchidas por profissionais no mercado.

Portanto, o presente trabalho buscará investigar o por que as vagas abertas de T.I. não são preenchidas com profissionais disponíveis no mercado, discutindo: o contexto econômico e social de demanda desses profissionais, formação acadêmica, competências esperadas na atualidade pelas empresas demandantes e necessidade de atualização técnica constante por conta das inovações tecnológicas.

Essa é a quarta parte da pesquisa a ser publicada integralmente no LinkedIn.

A primeira parte da pesquisa, você encontra AQUI.
A segunda parte - AQUI
A terceira parte - AQUI.