O Perfil do Profissional de T.I. no Brasil - Parte 2

O Perfil do Profissional de T.I. no Brasil – Parte 2

Capítulo 1 - O Surgimento da Tecnologia da Informação no mundo e no Brasil

De acordo com Wainer (2003) pode-se considerar a informática como fenômeno de mercado há 50 anos: Inicialmente, a informática estava limitada ao contexto empresarial – eram produzidos computadores e sistemas para controle de operações, e as principais fabricantes eram: IBM e Digital Research – ou seja, a maior produção das empresas era concentrada na produção de hardware – porém nesse momento faltava às empresas um sistema operacional em que fosse possível o usuário navegar com maior praticidade e segurança. A Microsoft surge em um contexto de competição com a Apple para a produção de um sistema operacional, o Windows e o Macintosh respectivamente.

Porém, o objetivo da Apple era a produção do PC – personal computer – que marca a popularização e acesso dos indivíduos fora do contexto empresarial à tecnologia da informação – nesse momento, as empresas passam a competir também por uma fatia de mercado de usuários fora do contexto empresarial, mas domiciliar e pessoal também (Fonseca Filho, 2007).

Portanto, segundo Wainer (2003) A informática (computadores) passou a incorporar com o tempo, as telecomunicações (equipamentos e serviços) e programas (software), e dessa incorporação surge à denominação – Tecnologia da Informação – T.I.

Atualmente, a divisão das áreas de produção de T.I. é a seguinte:

    1. Indústria de hardware:
    2. Software/Indústria de Serviço
    3. Equipamentos de comunicação
    4. Serviços de comunicação
 

No Brasil, a T.I. está fortemente presente no contexto empresarial e domiciliar, sendo cada dia mais incorporada nas Telecomunicações, no contexto empresarial - estima-se que 40% do capital da empresa esteja investido em tecnologia (Meirelles, 2003) e no contexto domiciliar, segundo levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil, 2013), o Brasil fechou o primeiro trimestre de 2013 com 96,5 milhões de acessos em banda larga (crescimento de 37% em relação a março de 2012). Já o segmento móvel da banda larga somou 75,5 milhões de usuários com acessos, registrando um crescimento de 45% em relação a março de 2012.

No Brasil houve um aumento agressivo de investimento de capital estrangeiro através da vinda de grandes multinacionais para o Brasil, que hoje é o quinto país do mundo onde as 500 maiores multinacionais estão ou tem filiais instaladas (FSP, 1998). Situação que ficou mais agressiva na década de 90: durante os anos 80, o investimento de capital estrangeiro não passou de 1 bilhão/ano, chegando a 30 bilhões/ano em 2000.

Dentro desses números, na indústria difusora de tecnologia (aeronáutica, automobilística, eletroeletrônica e química fina), a participação do capital estrangeiro passou de 60,3% para 86,9% (FSP, 2002).

De forma geral, a chegada de empresas estrangeiras em território brasileiro, foi seguida de aquisições de empresas locais brasileiras, e entre os anos de 1994 até 2000 cerca de 2100 empresas brasileiras, mudaram de dono, cerca de 60% adquiridas por companhias internacionais, de acordo com estudos da consultoria KPMG (2012). Só em 2000 os estrangeiros compraram 65% das empresas vendidas no Brasil com investimento de US$ 25 bilhões. Na área de tecnologia da informação foram fechados 57 negócios. Essa vinda agressiva de empresas multinacionais do segmento de tecnologia, gerou uma demanda muito grande desses profissionais, exigindo do mercado uma maior popularização dos cursos de graduação relacionados.

A partir da década de 90, com a popularização do Windows para PC – e o acesso a Internet – que já vinha com o Internet Explorer no pacote de instalação do Windows, as empresa de médio e pequeno porte de diversos segmentos tiveram acesso aos produtos de T.I. - No Brasil, a internet: começou restrita às universidades e conquistou abrangência nacional com projetos da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), criada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 1990 (Leal, 2010).

Mas por qual razão as empresas adquirem tecnologia? De acordo com Wainer (2003), as empresas o fazem buscando aumentar a produtividade e manterem-se competitivas – desta forma os investimentos em T.I. seriam equivalentes a uma corrida armamentista: as empresas não poderiam deixar de fazer, com medo de que isso as torne incapazes de competir. Embora existam diversos estudos que contra argumentem que a T.I. ate hoje não foi capaz de gerar ROI – Return on Investiment - , essa é uma discussão que não cabe no presente trabalho. O fato é que a T.I. passou por uma grande popularização no meio domiciliar e empresarial, levando a uma demanda de profissionais dessa área, com focos diferentes – desde profissionais de suporte, profissionais de analise, de projetos de T.I., infraestrutura, arquitetos de soluções e dentre todas essas possíveis especializações, considerando-se as graduações de senioridade entre elas.

É importante ressaltar que a cada tecnologia que entra para o mercado e o quanto mais rápido ela se disseminar para o publico em geral, maior a demanda desses profissionais para prestação de serviços a clientes internos, externos das empresas ou pessoas em contexto domiciliar que forem se utilizar dessa nova tecnologia.

Essa maior demanda dos profissionais de T.I., vem aumentando o acesso aos cursos de Graduação relacionados – pulverizando um grande número de profissionais no mercado. Porém, esse numero de profissionais no mercado, não satisfaz as exigências das empresas de T.I. como em pesquisa feito pelo IBGE (2012), ao passo de que estas estão de forma cada vez mais rápida, atualizando seus próprios produtos e criando novas tecnologias - crescendo a cada ano, as exigências relacionadas à especializações requeridas do profissional de T.I.

De forma geral, o profissional de T.I. tem um grande acesso ao mercado de trabalho pelo fato da formação inicial (Graduação – Lato Sensu) ser voltada as necessidades do mercado de trabalho, porém com a velocidade da produção de novas tecnologias e a aquisição das mesmas por outras companhias, as empresas exigem conhecimentos técnicos cada dia mais específicos e atualizados, como já apontado pela pesquisa do IBGE (2012).

Para a atualização dos profissionais, existem os cursos de certificação que também estão a serviço das necessidades do mercado, fato que acaba por os encarecer, pois os profissionais que podem ministrar esses cursos prontamente (acompanhando a velocidade do mercado de inovações) são escassos, resultando em uma media de R$ 12.000,00 a R$ 20.000,00 por certificação (ITweb, 2012).

Tais fatos, se considerados juntamente com a média do salario de um profissional iniciante (júnior) de T.I. : R$ 2.941,00, permite-se concluir que trata-se de um mercado que exige um alto investimento para se continuar no mercado.

Também devemos considerar como material para discussão, o fato de que as exigências técnicas e de capacitação das empresas muitas vezes são baseadas, ou até fruto de descritivos de posições muitas vezes vindas da própria matriz das empresas - países esses que oferecem uma formação diferente da que vemos no Brasil para o profissional de T.I.


Essa é a segunda parte da pesquisa a ser publicada integralmente no LinkedIn.

A primeira parte da pesquisa, você encontra AQUI.